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IMPORTANTE: Este blogue não tem a pretensão de ser um site científico e nem de ser uma fonte para estudos. Apenas lançamos as questões e estimulamos o debate e a análise, servindo apenas para ponto de partida para estudos mais detalhados. Para quem quiser se aprofundar mais, recomendamos a literatura detalhada das obras de Allan Kardec - principalmente "O que é o Espiritismo" e visitar fóruns especializados, que não façam parte da Federação "Espírita" Brasileira.

Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e correspondem ao ponto de vista pessoal de seus responsáveis, sejam ou não resultado de estudos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Rustenismo nas obras de Chico Xavier

Por Sérgio Aleixo - O Primado de Kardec

O rustenismo é deturpação perigosa, porque se alastra sorrateiro, não em suas obras principais, mas mediante livros psicografados por Chico Xavier. Conforme prevê o assim chamado “Pacto Áureo” (05/10/1949), “cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de maneira a acelerar a marcha evolutiva do Espiritismo”. Pois bem! Isto passou ao art. 63 do estatuto da Casa-Máter do rustenismo no mundo, que registra:

O Conselho [Federativo Nacional da F.E.B.] fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Francisco Cândido Xavier.

Entre outras piadas de além-túmulo, no capítulo I desta obra, “a amargura divina” de Jesus “empolga” toda uma “formosa assembleia de querubins e arcanjos” e ele, “que dirige este globo”,[1] não sabe sequer onde é o Brasil. Não bastasse isto, no cap. XXII, o confuso Roustaing emerge do estatuto da F.E.B. para ser equiparado a L. Denis e a G. Delanne, figurando adiante destes na condição de cooperador de Kardec para “o trabalho da fé”. Subsiste ainda o questionamento levantado por Julio Abreu Filho em O Verbo e a Carne, isto é, por que Humberto de Campos se referiu a Roustaing, Denis e Delanne em Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho de 1938 e, no livro Crônicas de Além-Túmulo, de 1937, reportou-se tão só a Denis e Delanne?

Em O Consolador, de Emmanuel, há, igualmente, certas estranhezas. Será que houve, então, uma afronta à integridade conceitual do movimento espírita, do tipo “pílula dourada”, sob a chancela do trabalho do médium de maior projeção dos últimos tempos? Foi isto à revelia dele ou, por outra, com sua anuência? Mas como provar qualquer hipótese? Da própria F.E.B., em 1942, Chico Xavier recebeu a informação de que seus originais, após publicação, eram inutilizados por aquela instituição.[2]

A contradição seguinte parece mesmo sugerir o douramento da pílula rustenista na obra de Chico Xavier: o problema do Espírito Santo, expresso nos ns. 303 e 312 de O Consolador. O Espírito Santo não pode ser “a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas” e, a um só tempo, uma “falange de Espíritos”. Só a primeira resposta, à questão 303, faz sentido à luz do Evangelho e da codificação kardeciana. Já a segunda, à pergunta 312, reflete o rustenismo e, se for interpolação febiana, que ironia, porque se esmera em elucidar outra interpolação, mas bíblica.

O texto oferecido pelo interlocutor da F.E.B. (negritado abaixo), conforme parecer insuspeito do tradutor da Bíblia de Jerusalém (Paulinas, 1985), apresenta “um inciso ausente dos antigos manuscritos gregos, das antigas versões e dos melhores manuscritos da Vulgata, [...] uma glosa marginal introduzida posteriormente” em 1.ª João, cap. 5, vv. 7-8, onde se lê: “Porque há três que testemunham [no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um só; há três que testemunham na terra]: o espírito, a água e o sangue, e esses três são um só”.

Portanto, o interlocutor febiano, no n. 312 de O Consolador, driblou a parte do texto bíblico que se refere ao testemunho de Jesus em “espírito, água e sangue”, para só se referir à glosa marginal, ensejando a Emmanuel esta interpretação da Trindade: “Pai” => Deus, “Verbo” => Jesus, e “Espírito Santo” => “legião dos Espíritos redimidos e santificados que cooperam com o Divino Mestre, desde os primeiros dias da organização terrestre”. Definição tipicamente rustenista do Espírito Santo, assim como, por vezes, do Espírito da Verdade e mesmo do Consolador: “conjunto dos Espíritos puros, dos Espíritos superiores e dos bons Espíritos”; ou “falange sagrada dos Espíritos do Senhor”.[3]

Há, no entanto, um prefácio amistoso de Emmanuel ao livro Vida de Jesus, de Antonio Lima (F.E.B.) Na obra é defendida a tese do corpo meramente fluídico do Cristo. Da mesma forma em relação a Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que menciona Roustaing ao lado de Delanne e Denis como cooperador de Kardec, e que é prefaciado por Emmanuel. Sobre A Grande Síntese, de P. Ubaldi, escritor que reeditou a queda angélica e a involução como pressuposto para a evolução, postulados afins do rustenismo, o jesuíta disse:

Aqui, fala a Sua Voz [de Jesus] divina e doce, austera e compassiva. [...] é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre. Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus.[4]

Ante um comunicado destes, natural é que alguns mais exaltados digam que Kardec foi superado por Ubaldi. Quanto a este pensador italiano, ao indigesto Roustaing e até ao excêntrico Ramatis, será que adeptos de suas doutrinas heterodoxas podem ter pleiteado para publicações afins o “aval” dos já cultuados instrutores de Chico Xavier, na intenção de facilitar a infiltração de tais obras no movimento espírita? E Chico? Analisava tudo? Infelizmente, não. Ele dizia que não era da sua competência entrar na apreciação sequer dos livros que psicografava, sendo um simples “animal de carga”.[5] E os Espíritos que davam os “avais”? Eram mesmo os seus guias? Em caso positivo, são confiáveis?

Normal é que o estudioso se reserve o direito de duvidar, até porque a codificação kardeciana assegura que “o melhor [médium] é o que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido enganado menos vezes”, assim como preconiza que, “por melhor que seja um médium, jamais é tão perfeito que não tenha um lado fraco, pelo qual possa ser atacado”.[6] Kardec já advertira também: “Pelo próprio fato de o médium não ser perfeito, Espíritos levianos, embusteiros e mentirosos podem interferir em suas comunicações, alterar-lhes a pureza e induzir em erro o médium e os que a ele se dirigem”. Consignara o mestre que este é, sim, “o maior escolho do Espiritismo” e que o meio determinante para evitá-lo é o “discernimento”; e por quê? Kardec assim responde:

As boas intenções, a própria moralidade do médium nem sempre são suficientes para o preservarem da ingerência dos Espíritos levianos, mentirosos ou pseudossábios, nas comunicações. Além dos defeitos de seu próprio Espírito, pode dar-lhes guarida por outras causas, das quais a principal é a fraqueza de caráter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam.[7]

O problema, todavia, é mais complexo, transcende a simetria óbvia entre a F.E.B. e a obra de Roustaing. Não constitui rustenismo a doutrina das almas gêmeas, que, segundo Emmanuel, são criadas umas para as outras e umas às outras destinadas na eternidade, contrariando o comentário kardeciano ao n. 303-a de O Livro dos Espíritos, que diz: “É necessário rejeitar esta ideia de que dois espíritos, criados um para o outro, devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade”. A F.E.B. até questionou o ensino das almas gêmeas na obra O Consolador, ali o deixando, contudo, a pedido do próprio jesuíta.[8]

Quanto a isto, já não faz o menor sentido a hipótese de interpolação da Casa-Máter por força do rustenismo, que nunca professou a existência de almas gêmeas, assim como jamais disse, por exemplo, que Marte é mais avançado em civilização do que a Terra, ou que os exilados adâmicos vieram de um suposto orbe não purificado física e moralmente, que guarda muitas afinidades com nosso mundo e orbitaria o “magnífico sol” Capela; na verdade, segundo a astronomia, um sistema de sóis com ausência de planetas.[9]

De fato, consta que Emmanuel teria dito a Chico Xavier que deveria permanecer com Jesus e Kardec caso lhe aconselhasse algo em desacordo com as palavras de ambos.[10] Mas nenhum ensino contrário a Kardec deixou de ser publicado por essa razão. Eis o fato.[11] De mais consistente lógica e de melhor proveito à clareza analítica, portanto, é que se atribua ao próprio Emmanuel tudo aquilo que dos seus livros conste. Só Chico Xavier teve o poder de dirimir as dúvidas, mas nunca o fez, nunca levantou uma suspeita sequer sobre a F.E.B.; ao contrário, não é difícil encontrar-lhe pronunciamentos com os mais efusivos aplausos à Casa do “Anjo” Ismael, assim como ao grande J. Herculano Pires, maior opositor do rustenismo febiano. O médium sempre aparece ao lado de todos os partidos.

De tudo, restam os objetos, milhares de milhares de livros, o papel e a tinta, a confusão nas estantes, sempre bem acessível aos neófitos que chegam às casas espíritas e aos incautos leitores em busca de um Consolador que lhes dê milagrosas respostas. Só se pode julgar do que foi publicado. Eis a verdade. Cabe, pois, aos espíritas atentos a apreciação rigorosa de toda obra mediúnica, segundo os padrões de Kardec. Este deve ser o procedimento dos adeptos estudiosos, e a produção atribuída a qualquer Espírito não pode nem deve escapar a isso, seja quem for ou quem se diga ser.

Não passa de temeridade, com lamentáveis consequências já em curso, a ideia de que não se deve agir deste modo para não confundir ou chocar os simples. Na prática, isto é licitar ao Espiritismo que erros manifestos sejam arrolados à conta de patrimônio das consolações que prodigaliza a seus adeptos.

Encaminhemos os simples à segurança e pureza da fonte original do Espiritismo, à codificação kardeciana, em vez de entretê-los com equívocos que, mais tarde, os surpreenderão desprevenidos e, quem sabe, os convidarão à apostasia. O que disse Erasto a Kardec?

Deve-se eliminar sem piedade toda palavra e toda frase equívocas, conservando no ditado somente o que a lógica aprova ou o que a Doutrina já ensinou. [...] Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom-senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa. Com efeito, sobre essa teoria poderíeis edificar todo um sistema que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento construído sobre a areia movediça.[12]

Para o movimento espírita, no entanto, isto não há passado de meras frases de efeito, inseridas em retóricas quase sempre desmentidas pelo cotidiano institucional da maior parte dos adeptos do espiritismo à moda da Casa-Máter do rustenismo. Sobre o assunto espinhoso deste capítulo, decerto que muito a propósito são as reflexões de nosso valoroso confrade Artur Felipe de A. Ferreira, em seu artigo “De Que Lado Está Emmanuel?”.[13]

[1] Revista Espírita. Jan/1864. Um Caso de Possessão. Senhorita Júlia. Nota: O sábio Hahnemann é quem afirma ali que o Espírito de Verdade dirige este globo, ou seja, a Terra.
[2] Cf. SCHUBERT, Sueli Caldas. Testemunhos de Chico Xavier, p. 23-24. Apud DA SILVA, Gélio Lacerda. Conscientização Espírita. Chico Xavier, Emmanuel e a F.E.B.
[3] Os Quatro Evangelhos. Vol. I, n. 9; Vol. II, n. 187; Vol. IV, n. 1. Nota: Quanto ao Espírito da Verdade, é curioso, o rustenismo muito se divide, porque subsiste na obra a instrução dos bons Espíritos que, em Bordéus — na casa de Roustaing e na de Sabo —, chegaram a revelar que se tratava de Jesus, como o próprio advogado fez questão de consignar a Kardec, bem antes do cisma que promoveria. (Cf. Revista Espírita. Jun/1861. Correspondência.) Evidentemente, os Espíritos que passaram a substituir os Iniciadores se valeram de uma autêntica revelação destes para impor aos bordeleses mais incautos lamentáveis sistemáticas a título de comandos do Cristo, de Moisés, dos evangelistas, de Maria e dos apóstolos. J.-B. Roustaing, infelizmente, faliu ante provável missão que não chegou a cumprir, tornando um pouco mais árdua a gigantesca tarefa do gênio lionês. Não foi sem motivo que disse o mestre sobre o livro rustenista: “[...] ao lado de coisas duvidosas, em nosso ponto de vista, encerra outras incontestavelmente boas e verdadeiras, e será consultada com proveito pelos espíritas sérios [...]”. (Revista Espírita. Jun/1866. Os Evangelhos Explicados.)
[4] Ob. cit. 18.ª ed. Trad.: Carlos Torres Pastorino e Paulo Vieira da Silva. Vol. II.
[5] Cf. Emmanuel. 15.ª ed., F.E.B., Prefácio, p. 21. Cf. DVD Pinga-Fogo 2. Clube de Arte. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Não Há Médiuns Infalíveis. http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com/2011_02_21_archive.html.
[6] O Livro dos Médiuns. XX, 226, 9.ª e 10.ª
[7] Revista Espírita. Fev/1859. Escolhos dos Médiuns.
[8] Cf. n. 323 e nota à primeira edição.
[9] Cf. Emmanuel, “A Tarefa dos Guias Espirituais”. A Caminho da Luz, cap. 3. Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Kardec e os Exilados. http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com/2010_03_29_archive.html
[10] Diálogo dos Vivos [em parceria com Herculano Pires], cap. 23: Permanecer com Jesus e Kardec.
[11] Cf. ALEIXO. Ensaios da Hora Extrema. Léon Denis, Emmanuel e as Almas Gêmeas; Mística Marciana e Segurança Doutrinária; Kardec e os Exilados; Sobre André Luiz. http://ensaiosdahoraextrema.blogspot.com/.
[12] O Livro dos Médiuns, 230.
[13] http://coerenciaespirita.blogspot.com/2008/10/de-que-lado-est-emmanuel.html

Fonte: O Primado de Kardec - http://oprimadodekardec.blogspot.com/2011/02/capitulo-13-o-rustenismo-nas-obras-de.html

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Espíritos de Crianças na Erraticidade

Por Maria das Graças Cabral - Um Olhar Espírita

O tema do presente artigo adveio do questionamento feito por um leitor do blog Um Olhar Espírita, quando indagou se seria possível a existência de crianças na erraticidade, posto que, no grupo espírita que frequenta muito comumente elas se apresentam nas reuniões mediúnicas desenhando flores.

Para alcançarmos o entendimento do assunto em pauta, precisamos pontuar e analisar alguns aspectos propostos em O Livro dos Espíritos. Inicialmente trataremos de “períspirito”. Asseveram os Mestres da Espiritualidade, que o Espírito é envolvido por uma substância vaporosa, denominada por Kardec de “períspirito”, que é retirado do “fluido universal de cada globo”.

Pode-se atribuir ao períspirito duas finalidades. Lembrando que ainda estamos longe de conhecer todos os seus atributos. Dizem-nos os Espíritos da Codificação, que na condição de encarnado, ele serve de liame entre o Espírito e o corpo material.

Já para o desencarnado, o períspirito funciona como o envoltório semimaterial, que toma a forma ao “arbítrio” do Espírito. Portanto, afirmam os Mestres Espirituais que é através do períspirito que aquele “aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável”. (O Livro dos Espíritos, questão 95)

Importante tais elucidações, para clarificar que o Espírito se apresentará tomando a forma a seu alvedrio, objetivando ser reconhecido por aqueles que o conheceram sob tal roupagem, ou para atender outras questões de seu interesse. Entretanto, comumente será visto sob a forma e identidade de sua última encarnação.

Senão vejamos o questionamento feito por Kardec a respeito: - “Como a alma constata a sua individualidade, se não tem mais o corpo material”. Respondem os Espíritos que através do períspirito representará a aparência da sua última encarnação. (O Livro dos Espíritos, pergunta 150-a) (grifos nosso)

No que tange a volta ao mundo espiritual, oportuno ressaltar que a consciência de si mesmo e de sua condição espiritual não se faz de pronto. Daí, grande parte dos Espíritos vivenciam o chamado “estado de perturbação”. Asseveram os Espíritos da Codificação, que tal estado varia de acordo com o grau evolutivo do desencarnado. “Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea enquanto o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito tempo mais a impressão da matéria”. (O Livro dos Espíritos, p.164)

Pode-se inferir de tal assertiva, que as pessoas mais espiritualizadas, esclarecidas, moralizadas, se desvincularão mais rapidamente do corpo físico e das questões próprias da vida material, tomando consciência de si mesmas, e da realidade espiritual que as envolve.

Em contrapartida, a grande parte dos que vivem às voltas apenas com as questões próprias da vida material, levará um tempo considerável para se libertar das sensações e impressões do corpo físico, como das questões cotidianas que dizem respeito ao mundo dos encarnados.

Ao tratar do “retorno à vida espiritual”, Kardec indaga na questão 149 de O Livro dos Espíritos, em que se transforma a alma no instante da morte. Respondem os Espíritos Superiores que “volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos que ela havia deixado temporariamente”. Argui então o Codificador na questão 150 da referida obra, se “a alma conserva a sua individualidade após a morte”, ao que os Mestres respondem que o Espírito não a perde jamais.

Portanto, pelo desenvolver das ideias, fica claro que é através do períspirito que o Espírito tomará a forma que lhe convém, buscando retratar a sua individualidade. Entretanto, a consciência de si mesmo e de sua condição de desencarnado vai depender do tempo de duração do seu estado de perturbação, que por sua vez dependerá de uma maior ou menor ligação com a vida material. Esse é um preceito geral aplicável a todos os Espíritos que desencarnam no planeta Terra.

Depois da regra geral apresentada, vamos adequá-la aos indivíduos que desencarnam na infância. A esse respeito, vale ressaltar que tais crianças poderão ser Espíritos com muito mais experiência do que os adultos que ficaram no plano físico.

Aliás, asseveram os Mestres da Espiritualidade que tal evento é bastante comum, e que “a duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do tempo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais”. (O Livro dos Espíritos, perguntas 197/199)

Faz-se por oportuno observar que o Espírito que desencarna criança, não é um “Espírito criança”. Já tem uma longa bagagem de experiências a ponto de já encarnar em um corpo de grande complexidade, que é o caso do corpo humano. Portanto, como dito anteriormente, pode até ser um Espírito muito mais experiente e evoluído do que os pais.

Adiante questiona Kardec em que se transforma o Espírito de uma criança morta em tenra idade. Aliás, particularmente nos países subdesenvolvidos, é grande número de crianças que vivem poucas horas, dias, meses ou alguns anos, vindo precocemente a desencarnar pelas mais diversas causas. Ao que respondem os Espíritos: - “Recomeçar uma nova existência”. Ou seja, serão preparados para uma nova encarnação. (O Livro dos Espíritos, pergunta 199-a)

Por fim, o Codificador indaga: - “Com a morte da criança o Espírito retoma imediatamente o seu vigor primitivo”? Respondem os Mestres Espirituais: – “Assim deve ser, pois que está desembaraçado do seu envoltório carnal; entretanto, ele não retorna a sua lucidez primitiva enquanto a separação não estiver completa, ou seja, enquanto não desaparecer toda a ligação entre o Espírito e o corpo”. (O Livro dos Espíritos, pergunta 381) (grifos nosso)

Observa-se, portanto, que a forma infantil de se apresentar, se deve ao estado de perturbação. Ou seja, é a forte ligação com o corpo material, que não permite ao Espírito identificar-se no “vigor primitivo” como dizia Kardec.  

Diante do exposto, pode-se concluir que passado o estado de perturbação, onde o Espírito tomará consciência de si mesmo e de sua condição espiritual, não haverá porque se fazer representar tomando a forma infantil.

Não obstante, vale pontuar algumas hipóteses. Um Espírito evoluído que passou por um breve período de perturbação ao desencarnar, poderá tomar a forma de criança para confortar e ser reconhecido pelos pais, familiares ou amigos encarnados que sofrem a saudade de sua partida precoce.

Muito comumente, pais que perderam filhos a mais de vinte, trinta anos, relatam que viram, sonharam, falaram com suas crianças que se mostravam com a mesma aparência que tinham ao desencarnar. Nesse caso, pode-se entender que tais Espíritos, caso não mais estejam em estado de perturbação, procurassem retratar a forma infantil para serem reconhecidos por genitores e/ou familiares.

Mas, e as crianças que comparecem às reuniões mediúnicas espíritas, ou são vistas transitando por casas, ruas, hospitais, templos, etc.? Já sabemos a resposta. São Espíritos em estado de perturbação, ainda fortemente ligados ao corpo material, sem consciência de si e de sua condição de desencarnado.

Não obstante, pode-se considerar uma nova hipótese. Somos sabedores que em razão da plasticidade do períspirito, e da capacidade que tem o Espírito de moldá-lo ao seu arbítrio, Espíritos inferiores, não mais em estado de perturbação, poderão apresentar-se como crianças, objetivando outros interesses. Por que não? É outra possibilidade a se aventar.

E então o que fazer? Orar por todos, conversar mentalmente, e buscar ajudá-los a se perceberem como Espíritos que são. Afinal não existem “Espíritos crianças”, pois o período de infância, adolescência, maturidade e envelhecimento, é uma condição do corpo físico, que obedece a esse processo orgânico de maturação, próprio dos nativos do planeta Terra.

No que concerne ao Espírito, este tem a sua infância espiritual dimensionada pelo grau de inexperiência diante das Leis Universais. A infância espiritual se faz identificar pelo estado de ignorância. Como dizem os Mestres Espirituais todos os Espíritos são criados simples e ignorantes.

Pode-se asseverar que será mediante o processo de evolução moral e intelectual que o Espírito alcançará a maturidade. O corpo físico é apenas um instrumento necessário para o aprendizado no planeta Terra. Morre o corpo infantil, e sobrevive o Espírito imortal e eterno, com toda uma bagagem de aquisições intelectuais e morais, advindas das múltiplas experiências reencarnatórias, e que integram a sua individualidade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Editora LAKE. São Paulo/SP. 62ª edição. 2001.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O destino dos animais e a questão do "cão intercessor"

Por Artur Felipe Azevedo - Blog Ramatis, sábio ou pseudossábio?

O Espiritismo é uma doutrina espiritualista de caráter filosófico e, ao mesmo tempo, uma ciência experimental, segundo a definição de Allan Kardec. O objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual, seguindo-se daí que o conhecimento acerca dos princípios da matéria, estudados pelas ciências ordinárias, lhe serve de complemento, uma vez que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. Deste modo, Espiritismo e Ciência se completam reciprocamente.

Contrariamente a isso, certos simpatizantes da Doutrina Espírita preferem renegar os conhecimentos científicos e descambam para a tentativa de anexar ao conhecimento e práticas espíritas conceitos oriundos do Espiritualismo genérico, com o que intentam “enriquecer” o corpo doutrinário espírita. Desta forma, passam a disseminar, junto aos núcleos espíritas, ideias e conceitos que conflitam clara e diretamente com os mais básicos e elementares princípios espíritas, ocasionando, assim, grandes confusões entre os simpatizantes da Doutrina, conduzindo o Movimento, de maneira sub-reptícia, à perda de unidade e, consequentemente, provocando desinteligências entre os adeptos, o que facilita a formação e fortalecimento de redutos seitistas. Atuam, portanto, à feição de vírus perigosos, como já tratamos no artigo “Os Cavalos de Troia do Espiritismo”.

Uma dessas questões elementares a que nos referimos acima é aquela que trata do animal irracional e sua destinação após a morte, assim como o grau de evolução ao qual pertencem. Tal assunto é tratado de maneira clara na obra basilar da Doutrina Espírita, “O Livro dos Espíritos”. Da questão 592 até a de número 610, os Espíritos Superiores respondem às mais variadas perguntas formuladas pelo codificador Allan Kardec, onde chegamos às seguintes conclusões, que abaixo enumeramos:

1. Os animais possuem instinto, que é uma forma rudimentar de inteligência, e não são detentores de livre-arbítrio;

2. Os animais não podem analisar seus erros e acertos. Assim sendo, não podem sofrer penas nem gozos por não terem consciência de seus atos praticados no mundo físico. Não há neles senso moral, já que a inteligência não se encontra suficientemente desenvolvida para tal;

3. A alma dos animais, após a morte do corpo, é devolvida rapidamente ao mundo físico, seja em um planeta ou outro para que continuem sua evolução até chegarem ao estado hominal, donde daí para frente possuirão livre-arbítrio e sofrerão as penas e gozos do mundo espiritual.

Em “O Livro dos Médiuns”, cap. XXV, 283, itens 36 e 37, também podemos colher mais informações sobre a questão:

4. O princípio inteligente que anima o animal fica em estado latente após a morte, sendo que espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres. Não lhes sobra tempo disponível para se por em relação com outras criaturas. Sendo assim, não há espíritos errantes de animais, mas somente espíritos humanos.

5. Consequentemente, não há animais habitando o mundo espiritual, e nem é possível obter comunicações de animais por via mediúnica ou por quaisquer outros meios.

É isso, pois, resumidamente, o que ensina o Espiritismo sobre o destino da alma dos animais, assim como suas possibilidades e nível de adiantamento.

No entanto, volta e meia nos deparamos com declarações em evidente contraposição ao exposto acima sendo feitas em centros espíritas ou presentes em obras que dizem inspirar-se no Espiritismo. Decorrem, obviamente, de mera opinião pessoal de seus autores, mas que são consideradas, por certo número de desavisados, como autêntico ensinamento espírita. Isso ocorre mais comumente nos núcleos de orientação ramatisista, que se auto-intitulam “universalistas”, onde se pretende, a todo instante, “reformar” o Espiritismo a título de “modernidade” e “vanguardismo”. Porém, infelizmente, o que encontramos nesses redutos é um autêntico sincretismo, onde tudo se mistura, sem qualquer critério de aferição da Verdade. Opiniões individuais se mesclam a conceitos do orientalismo, cujas doutrinas jamais formaram um corpo uniforme, somadas a comunicações atribuídas a espíritos, que são logo cridas como autênticas e repositórios de verdades cristalinas, a título de contribuição ao corpo doutrinário espírita. Esquecem-se, contudo, que o critério espírita de aceitação das mensagens oriundas do mundo espiritual deve ser o da concordância universal, tendo como base a própria revelação espírita, toda ela consubstanciada nas obras da Codificação.

Um exemplo prático dessa triste realidade tem sido as mensagens atribuídas a um deus grego (!) pretensamente recebidas pelo “médium universalista” gaúcho Roger Bottini, que também diz psicografar Ramatis. Já realizamos uma abordagem crítica deste caso e assunto no artigo “Médium ‘universalista’ diz receber mensagens de deus grego”- o qual sugerimos a leitura para melhor entendimento do que agora escrevemos - , sendo que, recentemente, causou-nos enorme perplexidade o comentário feito pelo Sr. Bottini sobre um suposto “cão intercessor” chamado Fiel. Segundo o médium supracitado, seus leitores estariam livres para orar ao cão e “pedir auxílio para seus ‘pets’ que estejam doentes ou tenham desencarnado.” Segundo o sr. Bottini, “Fiel é um cão do reino astral muito especial” e “vive junto a Hermes”, o deus da mitologia grega, e “atenderá aos pedidos feitos a ele com muito amor e carinho”(...)

Desta feita, apelamos ao leitor que analise minimamente a declaração acima e compare com o que é ensinado pela Doutrina Espírita. Lembramos que o autor faz palestras em centros espíritas e se diz “espírita universalista” – uma maneira encontrada de não ter que divulgar fielmente os princípios espíritas e misturá-los a tudo que lhe venha na cabeça. O resultado disso é que, dentro em breve, certamente, teremos pessoas que se dizem “espíritas” declarando abertamente por aí que oram a um cão, que amorosamente atende aos seus pedidos. A impressão causada, com certeza, será a pior possível, passando o Espiritismo a alvo de chacota e desprestígio por parte daqueles com mínima capacidade de raciocínio e senso crítico.

Segundo as instruções dos Espíritos a Allan Kardec, principalmente as contidas na Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e em “O Livro dos Médiuns”, faz-se necessário estarmos alerta a esses focos de grosseira mistificação e aplicarmos uma postura crítica que consiste em separar o verdadeiro do falso. É nosso dever submeter ao cadinho da razão e da lógica todas as comunicações, sobretudo aquelas que possuem um caráter exótico e exclusivista, geralmente advindas de indivíduos vaidosos que se auto-intitulam detentores de alguma missão especial ou conhecimento inacessível a maioria, que apresentam como verdades absolutas. Na mais das vezes, são vítimas de espíritos mistificadores ou pseudossábios, que se ornam com nomes pomposos para melhor enganar. O mal que tais entidades intentam causar é enorme, porque visam à desfiguração da mensagem espírita, expondo-a ao ridículo e ao vexame perante a opinião pública, enfraquecendo, assim, os magnos objetivos de esclarecimento e libertação da ignorância propostos pela Doutrina. A fim de atenuar a má impressão que causam, podem essas entidades espirituais até estimular seus medianeiros a erguerem alguma obra de caridade ou a desenvolverem alguma atividade de assistência social, intentando, assim, formar uma nuvem de fumaça em torno do médium e angariar a admiração dos incautos que lhes seguem os esdrúxulos ideários. Tais ideários, atualmente, estão geralmente ligados aos conceitos de salvação planetária, coletiva e/ou individual, onde se inserem “revelações” e previsões sobre futuras hecatombes apocalípticas, incutindo que seus seguidores serão salvos em função de suas crenças, preces ou ações determinadas pelo(s) líder(es) seitista(s). Tudo, obviamente, sugerindo muito amor, fraternidade e caridade em frases de efeito, que, na verdade, encobrem boas doses de presunção, e estímulo ao medo e ao misticismo.

O Espiritismo bem estudado e compreendido é seguramente o melhor antídoto contra tais ilusões e artimanhas, mas como cada vez mais se tem priorizado a leitura de obras romanceadas e as de abordagem superficial e simplista de pretenso caráter espírita, deixando-se de lado o estudo sério e metódico das obras kardecianas, tem crescido o número de adeptos que pouco ou nada sabem sobre a Doutrina, tornando-se, assim, presas fáceis dos espertalhões encarnados e desencarnados.

Já declarava Kardec em 1858, em “O Livro dos Médiuns”:

Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir.

Herculano Pires, em vista desses preciosos esclarecimentos, teceu comentários, tendo em mente o que vem ocorrendo no movimento espírita brasileiro:

“A malandragem dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo que se possa imaginar. A arte com que assestam as suas baterias e tramam os meios de persuadir seria digna de atenção, caso se limitassem a brincadeiras inocentes. Mas as mistificações podem ter consequências desagradáveis para os que não se previnam. Somos muito felizes por termos podido abrir os olhos a tempo a muitas pessoas que nos pediram conselhos, livrando-as de situações ridículas e comprometedoras.

(...) Devem também considerar desde logo suspeitas as predições com épocas marcadas e todas as indicações precisas referentes a interesses materiais.

Toda cautela com as providências prescritas ou aconselhadas pelos Espíritos, quando os fins não forem claramente razoáveis.

Jamais se deixar ofuscar pelos nomes usados pelos Espíritos para darem validade as suas palavras.

Desconfiar das teorias e sistemas científicos ousados. Enfim, desconfiar de tudo o que se afaste do objetivo moral das manifestações. Poderíamos escrever um volume dos mais curiosos com as estórias de todas as mistificações que têm chegado ao nosso conhecimento.

A falta de observação dessas instruções tem permitido a divulgação e aceitação de numerosas teorias pseudo-cientificas em nosso país e em todo o mundo, que contribuem para o descrédito do Espiritismo. A vaidade pessoal de médiuns, de estudiosos da doutrina e até mesmo de intelectuais de valor inegável, estes sempre dispostos a criticar e a superar Kardec, tem levado essas pessoas ao ridículo, inutilizando-as para o verdadeiro trabalho de divulgação e orientação. Essas instruções devem ser lidas e meditadas pelos que desejam realmente servir à causa espírita.”

Assim sendo, prezado leitor, se desejamos estar aptos a seguir a causa espírita, levemos em consideração tais instruções, precavendo-nos, assim, dos engodos que dão o ar da graça em nosso meio. Somente o estudo atento das obras kardecianas, somados ao desenvolvimento do senso crítico alicerçado na mais severa lógica, pode imunizar-nos desses vírus inoculados pelos inimigos secretos do Espiritismo e do bem geral. Amar ao próximo não é somente aliviar suas dores, mas preveni-las, e isso começa por libertá-lo de tudo que conduza ao erro e à ilusão, que, consequentemente, levará ao sofrimento. Na ignorância repousa a origem de todo o mal.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Explicando o mito da bondade de Chico Xavier

Por Orange Weblogs - Extraído do Eu Adoro Sossego

O Espiritolicismo, forma distorcida do Espiritismo que foi e ainda é bastante difundida no Brasil é altamente dogmática (defende crenças não comprovadas). Um dos dogmas é a suposta imensurável bondade do médium Chico Xavier, um simples homem de fé católica que foi tomado pela FEB e transformado em "guru", resultando em toda a confusão que se consagrou na versão brasileira da Doutrina Espírita.

Para os espiritólicos, Xavier foi o ser mais bondoso que encarnou na Terra após Jesus. Só que para tal definição, se limitaram a levar em conta a parte moral que, cá para nós, se encontrava em nível normal no médium. Além de se esquecer que evolução espiritual inclui o intelecto, se esqueceram também de que a bondade de Xavier não era superior a bondade de ninguém. Xavier era tão bondoso quanto qualquer bondoso na Terra.

A propósito: ninguém se preocupou em questionar ou justificar o porquê de Xavier ser considerado o homem "mais bondoso da face da Terra". E quem se preocupa em justificar, o faz dizendo alguma asneira sem sentido, baseado na emotividade sem razão e na fé cega muito comuns aos fãs do famosos médium.

E será que ele não fez mal? Claro que fez, mesmo involuntariamente. Xavier era o típico "bonzinho demais" preocupado em agradar a todos, sejam bons ou maus. E a "bondade" com os maus acabou transformando-o em cúmplice das maldades de obsessores disfarçados de sábios.

O famoso médium era submisso a um espírito de má índole, autoritário que atendia pelo nome de Emmanuel, o velho "Manoel da Nóbrega", jesuíta que estragou a cultura indígena, na tentativa de "evangelizar" os índios e que queria fazer o mesmo com os espíritas, se infiltrando, assimilando pontos da doutrina, para depois dilacerá-la sem dó. O que ele, infelizmente, conseguiu fazer.

Emmanuel é um espírito que se encaixa perfeitamente nas descrições de espíritos  mistificadores encontradas no Livro dos Médiuns de Allan Kardec. Ou seja, Emmanuel é mistificador, um ser inferior do além que se disfarça de "líder superior" para enganar a todos e emperrar o progresso terreno que estragaria os interesses do espírito jesuíta.

Voltando a Xavier, sua tentativa de agradar a todos e sua falta de senso crítico (embora ele tenha sido um frequente leitor de livros, do contrário que os espiritólicos acreditam), acabou por prejudicar a evolução espiritual do Brasil, distorcendo uma doutrina que surgiu não como religião, mas como ciência, emburrecendo a todos com seus livros cheios de erros e fantasias.

E as mensagens recebidas em consultas?

Há quem meça a bondade chiquista através das sessões onde ele recebia mensagens "consoladoras" do além, sobretudo a de supostos filhos de senhoras desesperadas (e/ou curiosas sobre o destino de seus filhos falecidos prematuramente).

Eu digo que nisso, houve bondade em certos casos, mas também houve maldade. Xavier não verificava as mensagens recebidas (e era orientado a não verificar - mas ninguém verificava por ele) e num ambiente onde espíritos de todo o tipo estão ansiosos para se comunicar, somado ao fato de que nem todos os espíritos evocados estão em condições de se comunicarem, possibilitando uma "substituição" por espíritos brincalhões disfarçados. Além disso, a evocação irresponsável dos entes queridos pode gerar uma obsessão encarnado/desencarnado, que é também possível e não-rara.

Haveria bondade se Xavier verificasse as comunicações (ou mandasse verificar) para que somente as mensagens autênticas fossem realmente recebidas e nas circunstâncias certas. Mas como se processava, muitas falsas mensagens acabariam por enganar muita gente que tenha saudade de seus entes queridos (que na verdade seria melhor não serem perturbados por estas evocações), recebendo mensagens ditadas por espíritos alheios aos evocados.

Interesse de criar um "santo espírita"

Nesta verdadeira bagunça que se transformou o "Espiritismo", muitas dúvidas, além de não serem esclarecidas, se tornam cada vez mais duvidosas e antagônicas.

Xavier, um católico, foi tomado pela FEB para ser uma espécie de "santo" para eles, forjando qualidades faraônicas e superpoderes que nem mesmo os católicos atribuíam a Jesus. Uma palestra que meu pai (espiritólico) assistiu falou que Xavier chegou a andar em cima das águas de um rio. Claro que ingenuamente meu pai gostou de ter ouvido isso. Eu nada comentei sobre o assunto, embora ficasse um pouco revoltado com o absurdo.

Segundo os espiritólicos, Xavier era um ser poderoso, com privilégios e supostamente pertencente a falange de Jesus. Argumentam os defensores que por ter sido a "reencarnação de um intelectual falido", foi proibido de raciocinar e escrever obras inteligíveis. Desculpa esfarrapada para justificar as tolices de suas obras psicografadas (ou não - há obras que ele psicografou e há outras que não).

Os superpoderes de Xavier que, segundo esses dogmas, ainda era o único então encarnado a participar das reuniões diretamente com Jesus (outro absurdo) reforçaram a crença de que ele era um ser privilegiado que teve direito a escolher a data de morte (num evento de futebol? Santa paciência, Xavier. Um pouco de seriedade não lhe faria mal) e receber antes a visita de dois OVNIs que supostamente eram sua mãe e o jesuíta intrometido (tido pelos espiritólicos como "anjo da guarda de Xavier, embora o bom senso o defina como um obsessor do tipo fascinador). Muita besteira para uma pessoa só.

Xavier era bom? Sem dúvida. Mas uma bondade normal, daquelas que todo ser humano é capaz de fazer. Mesmo assim, não doou órgãos e se comprometeu a trabalhos onde distorcia a doutrina e atraía espíritos de índole duvidosa, provocando maldades involuntárias que colaboraram muito mais para o atraso intelectual da humanidade e para a incompreensão da Doutrina Espírita, essa ainda uma grande desconhecida dos brasileiros, de que dela só sabem o nome.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Músicas "espíritas" e a lei de atração

Os defensores da utilização de músicas em reuniões espíritas argumentam que as músicas servem para atrair a atenção de espíritos superiores. Sinceramente é uma tese vazia, que confere mais com a opinião pessoal de quem defende do que a confirmação de um fato. 

Sabemos que existe uma imensidão de níveis de evolução por parte dos espíritos. Se lembrarmos que a trajetória de um espírito é totalmente diferente a de um outro, vamos perceber que cada um evolui a sua maneira, evoluindo apenas em alguns aspectos em detrimento de outros, É assim com todo mundo na caminhada evolutiva.

E os espíritos que se manifestam em cetros, é a mesma coisa. Achar que todos que mandam as suas mensagens são evoluídos, é desconhecer como ocorre a caminhada evolutiva dos espíritos, encarnados ou não.

O que se sabe é que existe a lei de atração, onde os espíritos só se manifestam em situações afins e em ambientes ou pessoas que estiverem na mesma sintonia. Isso é fato e não pode ser contestado.

O que significa que, cantando uma musiquinha medíocre, que tenha uma letrinha malfeita que fala sobre paz, amor e esperança, com bastante pieguice, nunca vai se atrair um espírito racional, exigente, que gosta de pesquisas e assuntos de seriedade. Vai na verdade atrair um espírito que está mais de acordo com a música tocada e a sintonia emanada por esta. Música piegas sempre vai atrair espírito piegas.

Vamos parar de achar que cantando músicas em reuniões espíritas vamos atrair espíritos superiores. Só se colocarmos uma orquestra sinfônica ou no mínimo um quarteto de cordas para tocar musicas eruditas, de preferência dos grandes compositores consagrados.

Nunca podemos esquecer que os espíritos atraídos pelas músicas serão do mesmo nível das mesmas que estarão sendo tocadas, Se estas músicas priorizarem a pieguice, só atrairão espíritos piegas, que negligenciam o raciocínio, exclusivizando a emotividade pura.

Qualquer cançãozinha besta sobre amor e esperança só vai atrair espiritos bestas que acham que amor e esperança é tudo e que "raciocínio é perda de tempo". Numa doutrina surgida através do raciocínio, perda de tempo mesmo é priorizar pieguices que não ajudam a evoluir nada, ninguém e nem coisa nenhuma.

Lembrando que o máximo que estas músicas  conseguem fazer é relaxar os frequentadores de um centro, com o efeito de um calmante, fazendo-os esquecer por alguns minutos dos problemas do cotidiano.

Espiritismo não segue rituais. Exigir que músicas sejam tocadas em reuniões como algo indispensável, é impor um ritual que só combina com as religiões dogmáticas que pretendem impor a aceitação de absurdos como se fossem as verdades inquestionáveis.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Movimento Espírita: "Alvo das investidas das sombras organizadas"

Por Artur Felipe Azevedo - Blog Ramatis, Sábio ou Pseudo-sábio?

O espírito Camilo, através da psicografia de José Raul Teixeira, fez um alerta muitíssimo pertinente intitulado "Uma Reflexão sobre o Movimento Espírita", constante da obra "Desafios da Educação"(Editora Fráter).

Como o prezado e atento leitor poderá notar, a citada entidade espiritual analisa detalhadamente a quantas anda o Movimento Espírita em vista da falta de estudo e conhecimento do Espiritismo, resultando na tentativa de enxertias e desvios de todo tipo, incentivadas pela espiritualidade inferior, interessada em promover o sincretismo e a confusão em nossa fileiras.

Leiamos com atenção e vejamos a estreita conexão com aquilo que analisamos aqui neste blog.

Inicialmente, a nobre entidade fala sobre a excelência da mensagem espírita e da grandiosa figura do Codificador Allan Kardec e sua preocupação com a UNIDADE doutrinária.

"A excelente Mensagem Espírita chega ao mundo como refrescante e iluminada aurora, anunciando um dia novo de bençãos para o planeta, atendendo as imensas carências da alma terrestre, que vivia a braços com as trevas ocasionadas pelo absolutismo materialista, que tem seus fundamentos balançados, em razão das Vozes altíssimas e claras que rasgaram o silêncio dos túmulos, para invadir os ouvidos da Humanidade inteira.

Como chuva bondosa, a Doutrina Espírita penetra o solo ressequido das almas, onde, a partir de então, as sementes nobres dos ensinamentos do Mundo Superior teriam toda a chance de germinar e medrar, estabelecendo ventura e progresso.

Eram novos tempos para a cultura e para a fé, que, agora, irisadas por luzes espirituais que se mostravam diante de todos, formulando convite ao espírito humano para um pensamento mais alto.

No centro das ocorrências, destaca-se a figura augusta do professor Rivail, universalmente conhecido como Allan Kardec, e na sua visão de espírito de escol, sabia e afirmava que seria ponto de honra para o desenvolvimento da Mensagem na Terra a manutenção da unidade. Seria indispensável que em toda parte, onde surgisse um núcleo de estudos do Espiritismo, se pudesse falar a mesma linguagem, sem que houvesse riscos de ser ele desfigurado, sem riscos de que viesse a sofrer enxertias, o que seria descabida ocorrência no bojo de uma doutrina de tamanha lucidez. A preocupação do Codificador, porém, dizia que tais dificuldades eram passiveis de ocorrer."

Prosseguindo, o espírito Camilo comenta sobre o crescimento do Movimento Espírita e faz um alerta:

"O tempo passa, as atividades em torno da Doutrina Espírita são desenvolvidas com rapidez. Da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1858, aos dias atuais, podem-se contar por milhares as instituições levantadas no mundo em nome da Veneranda Doutrina. Do pequeno grupo de almas dispostas, que ladearam o Codificador, suportando toda agrestia e fereza dos primeiros preconceitos até hoje, quando se torna status importante dizer-se espírita, há quase um século e meio de modificações na mentalidade geral.

À semelhança do que ocorreu com a primitiva comunidade dos Apóstolos de Jesus, que foi perdendo em qualidade à medida que se foi expandindo, se popularizando e ganhando notoriedade através do prestígio político de Roma, as atividades ao redor do Espiritismo - o Movimento Espírita - foi tomando contornos preocupantes em todo lugar, na proporção do seu agigantamento acompanhado pelo desconhecimento declarado dos seus fundamentos."

Como pudemos perceber, Camilo aponta o desconhecimento decorrente da falta de estudo do Espiritismo como razão principal para a perda de qualidade que se nota em todo lugar no que tange à prática doutrinária, tal qual ocorreu com o Cristianismo, que em praticamente nada se assemelha àquilo que foi legado por Jesus.

"Allan Kardec, valendo-se do seu inesgotável bom senso, estabeleceu que o Espiritismo é uma doutrina de livre exame, significando que, não sendo impositiva, oferece ao indivíduo que vai ao seu encontro todas as possibilidades de discussão e de análises, até que tenha podido compreender suas bases, de modo a vivê-las com claridade mental e segurança. Tristemente, muitos pensaram que tal condição de Mensagem lhes permita adaptar os seus preceitos doutrinários aos próprios gostos e tendências, sem causarem problemáticas adulterações no trabalho de profunda coerência dos Numes Tutelares da Terra."

Realmente perfeita a colocação do espírito Camilo. Muitos acham que podem adaptar seus atavismos ao corpo doutrinário espírita, demonstrando, com isso, total incoerência. Se não encontram-se satisfeitos com o Espiritismo, e não sendo esta uma Doutrina exclusivista e impositiva, nada mais sensato que dedicarem-se aos seus movimentos religiosos, deixando a prática espírita livre de adulterações e enxertias descabidas.

"Referiu-se o Codificador à compreensão do Espiritismo dizendo que quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das suas idéias (Kardec, A. O Livro dos Espíritos, introdução, parte VIII). Lamentavelmente, porém, muitos admitiram que poderiam falar e agir em seu nome, sem o mínimo de estudo de sua doutrina, na pressa inconsequente por obter fenômenos que bem podiam ser buscados fora dos arraiais espíritas, o que não vincularia a possível má qualidade ou a sua impostura ao respeitável estatuto espiritista.

Os abnegados Prepostos do Cristo ensinam na Codificação que o ensino dos espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão (O Livro dos Espíritos, questão 627). Desafortunadamente, indivíduos oriundos dos mais diversos territórios intelectuais, das mais variadas regiões morais, com as mais estranhas idiossincrasias, atiraram-se a propor alterações doutrinárias, a fazerem adaptações inconsistentes quão perigosas, introduzindo idéias e práticas francamente estranhas aos textos e contexto da Doutrina. São muitos os que, ignorantes, vão mantendo outras criaturas no seu mesmo nível, abominando estudos, detestando análises, impossibilitando a aeração dos movimentos do raciocínio. Um grande número não crê no que o Espiritismo expõe, mas se vale da atenção dos crédulos e ingênuos, sempre abundantes, para impor as suas próprias fantasias que trata de envolver com as cores da Veneranda Doutrina, porque sabe do desvalor do produto que oferece querendo adesões que lhe incense a vaidade.

Nenhum problema provocaria o indivíduo que criasse uma ordem de idéias, uma doutrina pessoal e que a defendesse com insistência, em seu nome mesmo, e a partir disso cobrasse atendimento, forjasse distintivos, premiações, imagens de "santos" encarnados, liturgias sacramentais e ordenações. Toda a sua prática seria buscada e seguida pelas almas que sintonizassem com isso, como deparamos no mundo dos intocáveis ismos , personalizados e personalistas, arrebanhando grupos imensos de fanatizados, que pagam bem caro para comprar um lugar no céu..., conforme a promessa dos seus líderes."

Camilo cita aquilo que também defendemos: sigam a quem quiserem e aquilo que bem entenderem, têm todos esse direito, mas aqueles que se dizem espíritas devam cuidar para que o Espiritismo mantenha-se livre de misturas, atavios e enxertias, permanecendo claro e límpido conforme nos foi legado pela Espiritualidade Superior.

"Quanto ao Espiritismo, porém, as coisas devem ser diferentes. Não havendo obrigação da pessoa ser espírita; inexistindo qualquer ameaça infernal para quem não aceite sua orientação; não se prometendo premiações celestiais a quem quer que seja e sendo uma escolha livre da criatura, em meio de tão diversificadas opções, torna-se imprescindível que quem queira ser espírita se despoje dessa terrível vaidade de que querer que as coisas sejam a seu gosto, ao invés de ajustar-se aos espirituais ensinamentos da Grande Luz. Imprescindível que o sincero espírita assuma, de fato, a disposição de melhorar-se com o conteúdo assimilado das lições do Infinito, pelejando para domar as suas inclinações inferiores."

No trecho a seguir, Camilo fala da estratégia da espiritualidade inferior para aniquilar o Movimento Espírita:

"Com tristeza, percebe-se hoje que o Movimento Espírita, que dispõe de tudo o que a Doutrina Espírita lhe brinda para ser amadurecido, pujante e avançado, tem sido alvo das investidas das Sombras organizadas e se encharcado com seus conteúdos peçonhentos e danosos. Daí, são núcleos criados para reverenciar personalidades vaidosas, que não abrem mão da relação de vassalagem; são instituições montadas somente para atender os corpos, sem qualquer compromisso com o espírito imortal que permanece vagueando nas trevas de si mesmo; são casas erguidas para desfigurar o pensamento espírita, em razão das mesclas implantadas com doutrinas, filosofias e práticas orientalistas ou africanistas que, mesmo merecendo respeito, têm propostas bem distintas das do Consolador."

Tais observações de Camilo não poderiam ser mais claras: a ênfase em trabalhos de cura de corpos em detrimento do estudo da Doutrina; a inserção de práticas orientalistas e africanistas; a idolatria a personalidades vaidosas e centralizadoras, encarnadas e desencarnadas, tidas como detentoras exclusivas da Verdade... Tudo isso com o velado objetivo de desfigurar o Espiritismo.

"Ainda em nosso Movimento Espírita, se há confundido o caráter universalista do Espiritismo com uma infausta tendência agregacionista, pois, ao invés de o pensamento espírita ajudar a ver o mundo dentro da óptica da Vida Superior, para que o indivíduo saia do nível das considerações meramente materiais, vê-se que tudo que é encontrado de "interessante" mundo afora, deseja-se agregar ao Espiritismo. Cânticos, terapias, experimentações psíquicas diversas, mantras, vestuário, jargões, festividades de gosto execrável e coisas outras ocupando variado espectro, têm despontado aqui e ali, em nome da Doutrina Espírita. E o que é mais contristador, é que tudo isto se dá diante da postura inerme dos que aceitaram responsabilidades diretivas das quais não dão conta. Tudo isto tem sido acompanhado com o consentimento dos que dirigem, coordenam, "orientam"..."

Exatamente como pensa a seita ramatisista: tudo crêem devam incorporar ao Espiritismo, em nome de um suposto "universalismo", que, na verdade, não passa de confusão sincrética oriunda de atavismos e falta de aprofundamento e entendimento da proposta doutrinária espírita. Disseminam aos quatro cantos que Kardec (entenda-se a Codificação) estaria ultrapassado, como se as verdades universais fossem mutáveis, ao mesmo tempo que desejam inserir no Espiritismo as crendices e superstições cujam origens remontam milhares de anos, quando a civilização achava-se em sua infância. E quando chamados a atenção, colocam-se na posição de vítimas, de perseguidos, raivosamente alegando "falta de caridade" daqueles que lutam pacificamente pela manutenção da unidade doutrinária. No entanto, como bem disse o espírito Camilo, falta de caridade é justamente nada fazer e tão-somente observar o crescimento dessas estranhas idéias em nosso meio.

Conclui Camilo, magistralmente:

"Afirmou o Celeste Guia que ninguém pode servir a dois senhores...

Estabeleceu o Excelso Mestre: Seja o vosso falar sim, sim, não, não...

Informa o Espírito da Verdade: Deus procede ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente.

Vale a pena refletir em todos esses brilhantes dizeres e nessas imagens tão expressivas dos mentores da Humanidade. A hora é, incontestavelmente, de testemunhos difíceis, e quem ainda não se sinta em condições de tomar do conteúdo da luminosa Revelação e dar-lhe impulso positivo, fazendo-a útil a si e aos irmãos do caminho, comece ou recomece o esforço íntimo para o fortalecimento da vontade de crescer, de despojamento do comodismo do homem velho, uma vez que Jesus Cristo confia nos empenhos das suas ovelhas, e conta que esses empenhos sejam verdadeiros, para que o seu devotamento não seja tão somente aparência, a fim de que se possa, então, construir um Movimento Espírita vívido e forte, capaz de representar as excelências do Espiritismo vivenciado e sofrido, se necessário, através das ações e convicções dos seus seguidores fiéis."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Origem do Caráter Católico do Espiritismo

Francisco Amado - Blogue República dos Espíritos

Para quem inicia no espiritismo encontra na web mais particularmente no orkut informações contraditórias que gera muita confusão.

Portanto para conseguir entender o atual estado das coisas é preciso remontar a historia da doutrina, voltar lá para o passado e caminhar vagarosamente juntando os fatos ocorridos neste período inicial.
Unindo as peças deste quebra cabeças, que vai pouco a pouco revelando por que atualmente temos esta catolização e ritualização dentro de uma doutrina que nasceu racionalmente, e hoje encontra um misto de crendices absurdas com um misticismo religioso que beira à tolice; sem nenhum comprometimento com o bom senso.

A questão é a seguinte, quando a doutrina chegou em terras brasileiras, a religião dominante era a católica portanto você tinha duas opções, ou era católico ou dizia que era apenas para não causar mal estar entre a maioria.

Neste contexto a professora Sandra Jacqueline Stoll da Universidade Federal do Paraná apresenta um trabalho excelente que vai mostrando e demonstrando como foi o trajeto da doutrina no Brasil.(1)

Fica evidente neste trabalho que apesar da projeção social do médium Chico Xavier isto não provocou repercussão no meio acadêmico. Por isso dentre as religiões ditas brasileiras, o Espiritismo tem sido a menos estudada.

No decorrer deste estudo a professora Sandra vai provando como ocorreu a síntese que Chico Xavier realiza, entre o Catolicismo popular, e o Espiritismo deixando o leitor à vontade para tirar suas próprias conclusões.

Como todos sabem a mediunidade não é propriedade da Doutrina Espírita ela esta em todas as religiões, portanto fica evidente que Chico Xavier foi um excelente mediun católico.

Seguindo na linha de montagem do quebra cabeça vamos ver que a Federação Espírita Brasileira foi fundada por ex-católicos carolas, que embora não conseguissem mais acreditar nos infalíveis dogmas da Santa Madre Igreja, ainda conservavam consigo certas coisas muito caras à carolice católica. Uma delas era a Mariolatria.

Quem revela esta parte é O Dr. Ary Lex que nas lides doutrinárias desempenhou muitas funções importantes: conselheiro da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) de 1942 até seu desencarne, conselheiro da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE) desde 1947, ex-presidente do Instituto Espírita de Educação (IEE) e da Associação Médico-Espírita de São Paulo (AMESP). (2)

Vem revelar a obra salvadora destes ex-católicos: "Os quatro Evangelhos" de J. B. Roustaing". Esse autor, contemporâneo de Kardec, desenterrou a defunta heresia docetista e fez de Jesus um fantasma materializado.

Com isso, Maria o teria "gerado" numa gravidez ilusória, com um parto ilusório e, principalmente, em plena virgindade. E, é claro, teria continuado sendo uma esposa absolutamente casta.. Maravilha! Agora sim os febeanos tinha a sua Nossa Senhora de volta. Com isso, não ligaram a mínima para as grandes bobagens que Roustaing disse, em total oposição à doutrina espírita.

O presidente da FEB, Guillon Ribeiro, traduziu essa obra indigesta e repetitiva e a FEB cuidou de divulgá-la. Devido ao fato de ser muito massuda, outros febeanos escreveram obras rustainguistas menores, que resumiam o pensamento de Roustaing.

E vamos colocando uma peça aqui outra ali e descobrindo que após Bezerra, pacificador e tolerante, o roustainguismo passou a imperar na FEB; para ser dirigente ou conselheiro, era preciso ser roustainguista.

A FEB proibia a realização de qualquer Congresso, no Brasil, sem seu consentimento. Mas em alguns Estados (São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, principalmente) começou-se a esboçar a libertação da ditadura febiana.

Portanto vamos percebendo que o atual estado das coisas não é obra de uma pessoa ou de um grupo isolado mas na verdade de um conjunto de coisas e fatores e um deles é a preguiça mental da grande maioria que quer respostas prontas.

Por isso que temos os espiritólicos, que nada mais são do que espíritas católicos.

Qual é o resultado disso na estrutura funcional e as práticas da maioria dos centros espíritas?O primeiro resultado é a falta de rigor, nos moldes do Instituto Parisiense de Estudos Espíritas, fundado por Kardec, que atuava sob enfoque filosófico e com metodologia científica de pesquisa.

A maioria dos espíritas brasileiros, e conseqüentemente, a sociedade em geral, acha que Kardec recomendava práticas evangelizadoras por haver escrito o livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Kardec não escreveu ou compilou obras de pregação religiosa, não visava fazer apologia e proselitismo cristão.
Seu objetivo era o de explicar o pensamento de Jesus sob o enfoque espírita. Caso contrário seria “O Espiritismo Segundo o Evangelho”

Portanto, espero poder ter contribuído para esclarecer você que chega agora e mesmo àquele que já esta há mais tempo dentro da Doutrina, entender o porquê uns dizem isto é espiritismo, outros afirmam não é, e outros dizem, mas pode ser.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dogmas colocados por brasileiros transformaram o Espiritismo numa palhaçada

A mediocrização que está contaminando toda a nossa cultura e o pensamento do brasileiro já começa a contaminar também o Espiritismo. A sociedade que vive em um país tradicionalmente católico, em que percebe o crescimento das igrejas evangélicas, sobretudo as neopentecostais, ainda não está preparada para uma religião que raciocina, utiliza a lógica, só acredita no que pode ser provado e só chega a conclusão da algo, após muito estudo.

Mas como para muitos ser "espírita"é sinônimo de evolução, muitos resolvem aderir à doutrina (a maioria pela dor, atrás de uma solução fácil - que o espiritismo não fornece - para os seus problemas), sem exatamente encarar a mesma com bastante lógica.

Tenho notado um certa ausência de atividades mais intelectuais, mais estudos, pesquisas, no meio espírita brasileiro da atualidade. É triste saber que a doutrina fundada por um pesquisador incansável como Allan Kardec, esteja hoje com tão poucas pesquisas e estudos sérios. Bom, na falta de estudos sérios, vai os não-sérios mesmo, despidos de qualquer lógica - se aproveitando da credulidade do brasileiro, um povo não muito afeito a intensas atividades cerebrais.

E aí, além de sub-doutrinas estranhas como Chiquismo, Ramatismo, Ubaldismo e o nefasto Rustenismo (esta filemente seguida, infelizmente pela Federação Espírita Brasileira), muitos conceitos bobos que parecem ter vindo da mente de algum hippie narcotizado, aparecem para contaminar mais ainda a doutrina.

Coisas relacionadas a "Nova Era", como colônias, cataclismas, Crianças Indigo, auras, anjos, e até elementos da astrologia, aparecem para tentar enganar os seguidores da doutrina que não estão dispostos a questionar qualquer um que lhes pareça "estudioso", sem ao menos tentar usar a lógica e perceber que estes conceitos não passam de uma piada.

Kardec já havia falado nos falsos profetas. Mas quem leu a parte do Evangelho Segundo o Espiritismo sobre o assunto, talvez não imaginasse que até mesmo dentro da doutrina apareceriam falsos profetas - e muitos - para tentar impedir que a humanidade se evolua, prendendo-a na credulidade secular imposta pelas outras religiões. É sabido que gente crédula é mais fácil de ser manipulada para satisfazer o interesse de quem detêm o poder.

Claro que sempre há quem queira levar o Espiritismo a sério, como O Blog do Espíritas, incansável na batalha de desmascarar os falsos profetas da doutrina e muita gente boa que acredito existir por aí.

Mas é notável o aumento da credulidade, ainda mais num ano marcado pelos falsos profetas como um "divisor de águas". O desespero diante das mudanças que supostamente estão para vir, aumentam ainda mais essa credulidade. Desesperadas, as pessoas correm atrás de qualquer coisa na ânsia de escapar de algum tipo de dano. E para isso são capazes de fazer de tudo, até mesmo de abrir mão de seus direitos.

E assim, com essa credulidade, somada ao desespero, vemos a bela doutrina codificada por Kardec, com base nas informações de espíritos sérios, ser contaminada , no Brasil, por um monte de bobagens sem sentido que só combinam com sonhos de crianças, levando o Espiritismo à dogmatização que certamente não combina com a sua finalidade original.

Com isso, o Espiritismo tupiniquim acaba se transformando numa palhaçada sem sentido que só serve para encher de orgulho vão os ufanistas que acreditam fazer parte de um povo privilegiado, baseado na absurda ideia de que a pátria da doutrina é o Brasil. Como se um pedaço de terra - material - dividido por seres humanos possa ser a encarnação do paraíso espiritual. Um absurdo infantil que só envergonha os seguidores mais lógicos do lado verdadeiramente científico da doutrina do cientista Allan Kardec.

Kadec mesmo disse: se a ciência provar que algo em suas obras estivesse errado, ele iria para o lado da ciência. Usemos melhor o raciocínio, esse privilegiado benefício que Deus nos deu.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Santa Maria: resgate coletivo, não!!!!

Estou sendo bombardeado por um monte de postagens em vários blogues afirmando que aquela tragédia ocorrida em uma boate na cidade de Santa Maria, RS e que o Carnaval fez questão de soterrar na memória dos brasileiros, se tratava de um "resgate coletivo". 

Uns até aproveitam para relacionar com o Holocausto, já que o dito aconteceu em um triste aniversário dessa famosa e gigantesca tragédia humana. Espiritólicos adoram coincidências para que possam dizer que "coincidências não existem", relacionando fatos muito diferentes. Absurdo.

Quando é que vão acabar com essa mania de criar dogmas irracionais para o Espiritismo? Ninguém percebeu que não existe resgate coletivo? Cada espírito tem a sua experiência própria, tão individual quanto a impressão digital: não existe um espírito que tenha experiência de reencarnações igual ao de outro. Cada um passa pelo que é necessário passar, de acordo com o seu pensamento e a sua experiência. 

Sem essa de carma, de punições padronizadas. Cada caso é um caso e a individualidade de cada espírito é critério crucial. Se todos eles estavam juntos é porque a mesma situação serviu de resgate individual para cada um dos que estavam lá.

Esses blogues espiritólicos querem mesmo é consagrar os seus dogmas para transformar o Espiritismo em mais uma religião irracional como as outras, com fantasias, erros, rituais e qualquer bobagem que sirva para impedir a compreensão verdadeira do que seja a doutrina.

Voltando, não existe resgate coletivo. Se todos estavam, no mesmo lugar é porque cada um encontrou ali a sua oportunidade de resgate individual, mesmo estando junto a outras pessoas. Foi cada um por si.

E o Holocausto? Santa paciência! Nada a ver! São tragédias igualmente tristes, mas que em nada se relacionam uma com a outra. A data do ocorrido foi pura coincidência. Muito provável que os espíritos dos jovens de Santa Maria sequer tivessem vivido perto da Alemanha nos tempos do Holocausto. Talvez nem nesse planeta.

Vamos ler - e estudar, discutir, questionar, analisar - mais as obras de Kardec e não aceitar cegamente o que ouvimos nas palestras, dadas por gente comum que apenas fala aquilo que acredita, sem ter realmente pesquisado e analisado o que é escrito normalmente por médiuns obsidiados por espíritos de ordem inferior, interessados em distorcer a Doutrina Espírita para que ela não se desenvolva, emperrando a evolução intelectual da humanidade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A identidade dos Espíritos e o excesso de credibilidade

NOSSO COMENTÁRIO: A Doutrina Espírita é a doutrina do raciocínio, da razão. Aceitar sem checar é algo que combina com outras religiões, mas não com a codificada por Kardec, um cientista responsável. Kardec Já alertava que não podemos acreditar em tudo que nos dizem, nem mesmo disfarçado sob o rótulo de "revelação espírita".

Afinal, não acreditemos em todos os espíritos, é preciso nos informar antes.

A identidade dos Espíritos e o excesso de credibilidade

Por Maria Ribeiro - 12:03 O Blog dos Espíritas

A importância capital na distinção dos Espíritos diz respeito, a saber-se se são bem ou mal intencionados, sábios ou ignorantes, sendo o restante de importância secundária, salvo se tratar-se de identificá-lo como pessoa desencarnada de nossas relações, onde se faz necessária a comprovação da identidade. A identificação será mais difícil quando tratar-se de personagens antigas, por isso a orientação em O Livro dos Médiuns, em que “a apreciação será puramente moral”.

A linguagem é apontada como principal forma de identificação, ao menos moral e intelectual do Espírito. Aliás, há entre eles, quando há concordâncias de idéias, o costume de assinar com um nome que imprima mais confiabilidade, sem por isso tratar-se de um Espírito mal intencionado; estes são mais esclarecidos, que, conservando sua individualidade, vão perdendo aos poucos os caracteres que distinguem sua personalidade. Também há os que se fazem passar por personagens veneráveis, mas com o intuito de enganar, e, claro, estes são sempre de ordem inferior.

“A questão da identidade é, pois, como dissemos, quase indiferente quando se trata de instruções gerais, uma vez que os melhores Espíritos podem se substituir uns aos outros sem que isso tenha conseqüência. Os Espíritos superiores formam, por assim dizer, um todo coletivo, do qual as individualidade nos são, com poucas exceções, completamente desconhecidas. O que nos interessa não é a sua pessoa, mas o seu ensinamento...”(cap XXIV – 256 – OLM)

Analisando estas sábias instruções, testemunha-se outra realidade no meio espírita, visto que grande parte dos profitentes adoram saber quem é quem. A curiosidade pelo nome do irmão desencarnado é maior que o interesse em interiorizar o ensinamento deixado por ele.

Não é de nosso costume pessoal, citar nominalmente nenhuma personalidade, antiga ou contemporânea, mas neste caso particular nos vemos obrigada a este proceder, dada a necessidade de uma análise que possa trazer novas reflexões acerca do assunto. Que não se entenda nas nominações nenhum laivo de depreciação, já que não é este o objetivo.

Há exemplos que se tornaram clássicos; um deles diz respeito ao Espírito Bezerra de Menezes, que segundo uns, foi Zaqueu, contemporâneo de Jesus. Outro exemplo é o de Francisco de Assis, afirmado como João, discípulo do Cristo. Outra opinião diz que o Espírito Miramez é o mesmo jovem rico de uma conhecida passagem evangélica. Há os que afirmam ser a Madre Tereza de Calcutá a mesma Maria de Magdala. Joanna de Angellis teria sido Joana de Cusa, também discípula cristã. Os exemplos mais difundidos são, entretanto, o de Emmanuel como o controverso Publio Lentullus, e André Luiz, como sendo Carlos Chagas, um médico sanitarista que viveu na cidade Rio de Janeiro; e com exceção deste, todos os outros estiveram com o Cristo...

Estas informações surgiram, decerto, através de desencarnados ignorantes ou mal intencionados, e ganharam credibilidade geral, sem nenhum exame, aliás, como provar que um Espírito nascido no século XIII como Francisco de Assis tenha animado um homem no tempo de Jesus, como João? Quem se arriscaria a dar cem por cento de certeza?

Se com os Espíritos que viveram no passado mais distante é impossível comprovar a identidade, com os que viveram mais recentemente é viável realizar um levantamento histórico e descobrir fatos que tornem (ou não) a comprovação identificatória algo concreto.

Nada impediria que André Luiz, por exemplo, fosse o Carlos Chagas, não fossem as discordâncias das informações. Segundo seus biógrafos, Carlos Chagas ficou órfão de pai aos quatro anos; viveu grande parte de sua vida e desencarnou no Rio de Janeiro, é bem verdade, mas era mineiro de nascimento. Seu desencarne se deu em 1934, ironicamente, de infarto do miocárdio, aos cinqüenta e cinco anos de idade. Estes dados estão em flagrante contradição com os oferecidos por André Luiz sobre sua biografia: morreu aos quarenta e poucos anos, durante uma cirurgia de câncer intestinal. Convivera com o pai, tanto que relata em Nosso Lar um episódio onde, juntamente com este, repreende um personagem de nome Silveira, por causa de uma dívida, além de afirmar que o pai desencarnara três anos antes dele, André (cap. 7); relata ter deixado três filhos, mas ora fala de um primogênito (cap. 6), ora fala de uma primogênita (cap. 49); enquanto Carlos Chagas teve dois filhos, que na época de seu desencarne já eram adultos e diplomados. Há também uma dificuldade cronológica, pois, tivesse desencarnado em 1934 e passado oito anos no umbral, André Luiz jamais teria condições de estar presente quando da explicação de Lísias em relação ao início da Segunda Guerra Mundial (cap. 24), em 1939. Na ocasião, ele já se encontrava perfeitamente restabelecido. Não se quer repetir a imprudência das especulações, sempre pouco ou nada proveitosas, mas aventamos: ou seja, seu desencarne se deu no máximo em 1930 e seu nascimento entre 1885 e 1888, e não em 1879, como o de Carlos Chagas. Isto, aliás, se forem corretas tais informações oferecidas na obra.

Sobre a questão moral, também não há registro da vileza de comportamento do grande cientista mineiro, conforme o autor de Nosso Lar se confessa portador, principalmente na juventude, quando diz ter enganado uma jovem empregada de sua casa que foi posta na rua por seu pai... Como, se Chagas era órfão desde os quatro anos, assumindo o papel de “homem da casa” aos quatorze, e passando a viver no Rio de Janeiro por volta dos dezoito?! São palavras de Eurico Villela, professor e médico, colaborador de Chagas:

“Sua compaixão pelo sofrimento alheio, sincera e profunda, não era, porém, passiva e resig-nada. Para atenuá-lo nunca se poupou, tudo dava de si num esforço que não distinguia o dia da noite, torturado na angústia de remediar o inelutável”.

“A nobreza de caráter e a desambição são outras características da sua personalidade. Quando, em 1919, o governo lhe outorgou um prêmio em dinheiro, no valor de cinquenta contos de réis, elevada importância para aquela época, abriu mão do mesmo em favor da construção de um monumento a Oswaldo Cruz. Ao acumular duas funções públicas, a de Diretor do Instituto Oswaldo Cruz e Diretor do Departamento Nacional de Saúde, aceitou apenas os vencimentos de uma das funções.” (fonte: Vertentes da Medicina, Joffre Marcondes de Rezende, São Paulo, editora Giordano, 2001).

Ao que consta, Chagas nunca teve nenhum de seus filhos “a praticar loucuras”, (cap. 49). Ao contrário, foram tão brilhantes quanto ele mesmo. Um deles desencarnou prematuramente, em 1940, aos 35 anos de idade, deixando várias obras consagradas. Já o filho mais moço que leva seu nome desencarnou no ano 2000, também um grande cientista e pesquisador. Não consta que sua esposa tenha contraído segundas núpcias, conforme André afirma que a sua tivera. Dona Íris Lobo desencarnou dezesseis anos depois do marido, em 1950, não podendo constatar-se que tenha se casado novamente após a viuvez.

Apenas com estas informações vê-se a impossibilidade de tratar-se do mesmo Espírito. Em suma, André Luiz e Carlos Chagas são duas individualidades distintas. André pode ter sido um admirador, talvez integrante da mesma equipe de médicos sanitaristas, ou talvez atuasse num outro grupo com os mesmos objetivos, sem evidentemente o mesmo brilhantismo de Chagas, (embora Emmanuel no prefácio, se refira a ele como “médico terreno e autor humano”) já que consta que o ilustre cientista mereceu honras, recebendo prêmios em vários países do mundo.

Com relação às outras personagens, é manifesta a impossibilidade de se fazer o mesmo estudo. Quem foi Madre Tereza de Calcutá? Maria de Magdala, só porque fora prostituta, regenerou-se e reencarnou envergando a indumentária de uma freira? Porque isto faria sentido? O personagem Emmanuel já tivera sua identidade investigada e que, por hora, se encontra sob suspeita. Outros Espíritos têm sido objeto de investigação, mas definitivamente, as especulações acerca dos supracitados que viveram séculos atrás se fazem infundadas.

Porque Joanna de Angellis teria sido a mesma Joana de Cusa, discípula de Jesus? Ao que parece ela mesma traçara sua biografia, partindo daquela personagem; ou seja, ninguém tem como provar que isto seja real, mas o bom senso tem um peso enorme sobre isto: esta informação deveria ficar engavetada até sabe-se lá quando, mas jamais ter sido difundida.

Os Espíritos Codificadores alertaram para a importância das instruções advindas dos Espíritos: o que tem relevância são as características morais que eles denotam, e para isto tem-se que estar atento. Descrevem tais características, comparando os bons e os maus Espíritos. O 23° princípio, inserto no capítulo XXIV de O Livro dos Médiuns, diz:

“Não basta interrogar um Espírito para conhecer a verdade. É preciso, antes de tudo, saber a quem se dirige; porque os Espíritos inferiores, ignorantes eles mesmos, tratam com frivolidade as questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha tido um grande nome na Terra, para ter, no mundo espírita, a soberana ciência. Só a virtude pode, em purificando-o, aproximá-lo de Deus e desenvolver seus conhecimentos.”

No 25º, completam: “Estudando-se com cuidado o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral se reconhece sua natureza e o grau de confiança que se lhe pode conceder. O bom senso não poderia enganar.”

Parece claro, mas não é uma aplicação prática no meio espírita. Aliás, os Codificadores deram também uma receita nem sempre fácil de realizar-se: eles ensinaram que para julgar os espíritos é preciso saber primeiro julgar a si mesmo. E continuam: “Infelizmente, há muitas pessoas que tomam sua opinião pessoal por medida exclusiva do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que contradiga sua maneira de ver, suas idéias, o sistema que conceberam ou adotaram, é mau aos seus olhos.”

Não é o que se presencia no Movimento Espírita? Cada um se vê no direito de interpretar a obra segundo o próprio entendimento, não permitindo exames, nem críticas, nem questionamentos, e isto não é um proceder que se possa chamar Espírita. Há várias décadas que grande parte dos profitentes aprende e ensina que André Luiz foi Carlos Chagas, embora já existam, desde muito tempo, resultados de pesquisas que provam tal impossibilidade, não sendo possível se chegar a uma conclusão exata sobre a personalidade real de André Luiz. Aliás, nenhum dos nomes cotados, como Oswaldo Cruz e outros, se enquadra no perfil de André. O fato em si, conforme pontuaram os Espíritos, não é relevante. O Espírita, manda o bom senso, deve aprender com eles o que for bom e útil, não se esquecendo de que, apesar de demonstrarem bondade e boas intenções, têm ainda limitações do saber, portanto, nem tudo o que disserem será verdadeiro. Mas, questiona-se: porque um Espírito que se esconde atrás de um pseudônimo, cujas razões foram explicadas, ao ter sua identidade questionada, não desfaz os equívocos a que teve que recorrer, justamente para não ser descoberto? E, não sendo Carlos Chagas, porque permite tal engano? Aqui entra uma nova questão: considerando tal estado de coisas como uma prova, pode-se concluir pela falência quase total do movimento espírita brasileiro: deslumbre excessivo pelas manifestações copiosas, fáceis, para as quais se creditou grande valor, sem a preocupação com as orientações do mestre Kardec. Os Espíritos Codificadores advertiram mais de uma vez sobre as necessidades básicas do exame sério e frio; traçaram diretrizes seguras para que se evitasse todo o tipo de equívocos. Coube aos homens colocarem em ação o que aprenderam com a Doutrina Espírita e exercerem seu poder de raciocínio, sua inteligência e discernimento. E tudo o que fizeram foi cair nas armadilhas do caminho... Se achando muito espertos.

Cabe, ainda, aos homens colocarem em prática o que aprendem com a Doutrina, exercitar o raciocínio, a inteligência e o discernimento, reconhecendo que ainda há grande ignorância e tibiez de vistas a vencer para que se compreenda o Espiritismo na sua grandiosidade e sublimidade.

Os adeptos sinceros devem procurar sempre e acima de tudo a verdade, evitando os pactos com supostas verdades, as que nascem do orgulho e da vaidade dos modernos “doutores da lei”.
É inútil no atual momento querer repetir-se o mesmo regime repressor dos tempos idos. Os questionamentos vão se tornar cada vez mais acirrados, as discussões mais vivas, e só restará o insulamento para os que pretendam intimidá-los, porque, apesar de tudo, os homens evoluem!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Erasto: Os falsos profetas da erraticidade

Erasto, Discípulo de São Paulo, publicado em Instruções dos Espíritos,
Evangelho Segundo O Espiritismo, codificado por Allan Kardec

10. Os falsos profetas não se encontram unicamente entre os encarnados. Há-os também, e em muito maior número, entre os Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe de través seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem. E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam sem escrúpulo de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a isolarem-se uns dos outros e a olharem-se com prevenção. Isso por si só bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões. Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste.

Mas, há muitos outros meios de serem reconhecidos. Espíritos da categoria em que eles dizem achar-se têm de ser não só muito bons, como também eminentemente racionais. Pois bem: passai-lhes os sistemas pelo crivo da razão e do bom senso e vede o que restará. Convinde, pois, comigo, em que, todas as vezes que um Espírito indica, como remédio aos males da Humanidade ou como meio de conseguir-se a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas; quando formula um sistema que as mais rudimentares noções da Ciência contradizem, não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso.

Por outro lado, crede que, se nem sempre os indivíduos apreciam a verdade, esta é apreciada sempre pelo bom senso das massas, constituindo isso mais um critério. Se dois princípios se contradizem, achareis a medida do valor intrínseco de ambos, verificando qual dos dois encontra mais ecos e simpatias. Fora, com efeito, ilógico admitir-se que uma doutrina cujo número de adeptos diminua progressivamente seja mais verdadeira do que outra que veja o dos seus em continuo aumento. Querendo que a verdade chegue a todos, Deus não a confina num círculo acanhado: fá-la surgir em diferentes pontos, a fim de que por toda a parte a luz esteja ao lado das trevas.

Repeli sem condescendência todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a separação e o insulamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes exagerados louvores, a fim de os fascinar e de tê-los dominados. São, geralmente, Espíritos sequiosos de poder e que, déspotas públicos ou nos lares, quando vivos, ainda querem vitimas para tiranizar depois de terem morrido. Em geral, desconfiai das comunicações que trazem um caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevem cerimônias e atos extravagantes. Há sempre, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.

Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros. Nenhum médium é perfeito, se está obsidiado; e há manifesta obsessão quando um médium só é apto a receber comunicações de determinado Espírito, por mais alto que este procure colocar-se. Conseguintemente, todo médium e todo grupo que considerem privilégio seu receber as comunicações que obtêm e que, por outro lado, se submetem a práticas que tendem para a superstição, indubitavelmente se acham presas de uma obsessão bem caracterizada, sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, encarnados e desencarnados, devem honrar e respeitar e não permitir seja declinado a todo propósito.

É incontestável que, submetendo ao crivo da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro, Pode um médium ser fascinado, e iludido um grupo; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns recebam, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, justiçarão rapidamente esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus.

Autor: Erasto, discípulo de São Paulo. (Paris, 1862,)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Adiando a evolução espiritual

O Movimento Espírita brasileiro, uma deturpação do Espiritismo, mesmo sem assumir, resolveu travar de vez a evolução espiritual dos seus seguidores, enclausurando seus seguidores num igrejismo piegas e irracional, se esquecendo das pesquisas e ignorando totalmente - e até solenemente - o desenvolvimento intelectual tão necessário para a compreensão da doutrina.

Preferiram aceitar fantasias como se fossem teses científicas, ditas através de romances e obras pseudo-didáticas que conseguem convencer pela linguagem sedutora, incautos que, seja por medo, preguiça ou simples confiança cega no emissor, preferem aceitar sem hesitar o que é escrito em nome da doutrina, por mais absurdo que pareça.

Essa fé cega tem feito um enorme estrago na compreensão da doutrina, travando a evolução espiritual dos seus seguidores e tirando a credibilidade da doutrina perante os não seguidores que, enxergando um dogmatismo irracional, acabam por não aceitar a doutrina nem nos aspectos mais legítimos, fazendo com que as lições aprendidas na codificação sejam ignoradas por causa da má reputação causada pelas obras psicografadas com irresponsabilidade, sobretudo as que vem com a "grife "Chico Xavier", não o único, mas o grande responsável por este estrago todo.

A confiança cega gerada pela paixão por um velhinho dócil e amável piora ainda mais as coisas, pois acaba por transformá-lo em um líder incontestável, com voz ativa e cujas ideias duvidosas são levadas a sério como se fossem mais importantes do que a codificação kardeciana. Kardec enfim ficou reduzido a mero "carimbo" para legitimar os enganos de Xavier e de outros médiuns-estrelas, todos mais preocupados em angariar prestígio comas besteiras ditas por obsessores que imobilizam a razão de seus alvos.

Infelizmente, esta deturpação toda existe a mais de 70 anos. Ninguém está preocupado em utilizar a fé raciocinada e sim usar este nome para dar pompa e razão a uma fé tão cega como a de qualquer religião materialista. A durabilidade desse estrago acabou por consagrar Chico Xavier como o maior nome do Espiritismo, mesmo senso ele um católico que nunca leu Kardec, submisso a um obsessor feroz e impiedoso e que permitiu ser manobrado por todos para que pudesse publicar as ilusões que enganam tanta gente, já carente de algum mestre.

Infelizmente, temos que aceitar estas deturpações, até que apareça alguém que possa convencer os incautos de todas as ilusões embutidas numa doutrina que nasceu científica e pode morrer totalmente irracional. Isso se não fizermos alguma coisa para tirar Xavier e seus discípulos e similares do Espiritismo, já que nenhum deles fala em nome da doutrina. Enquanto isso não acontece continuamos travados, acorrentados a um calabouço de pieguice e de assistencialismo superficial.

A evolução espiritual necessita da evolução intelectual. Para isso que a Natureza nos deu um cérebro. Não para ficar como enfeite ou para servir de depósito de fantasias e ilusões. Sem o intelecto, ainda somos como meros animais, ainda bastante travados na evolução espiritual. E podemos ter terríveis decepções com a nossa fé cega, que com certeza irá nos trair.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Brasil, "Pátria do Evangelho"? Hã?!

Todos sabemos que o Brasil possui em sua população o maior número de seguidores do Espiritismo. Não sabemos o exato motivo, mas isso é fato. Mas há quem veja algo de "mistico" nisso, se aproveitando para canalizar um certo ufanismo.

Esse fanatismo acabou criando a ideia de que o Brasil é a pátria do espiritismo (Pátria do Evangelho, como dizem) e para mim, isso lembra aquela ideia dos católicos, evangélicos e judeus de que o povo de Israel era o "povo escolhido". Isso, só de início entra em contradição à perfeição de Deus, que não escolhe seus filhos prediletos, dando oportunidades iguais a todos.

A ideia de "Pátria do Evangelho" foi muito difundida pelos rustanistas, seguidores de Roustaing, contemporâneo de Kardec que quis criar um "Espiritismo" paralelo, menos científico e mais dogmático, lançando mão de crenças sem nexo. "Espiritismo" que domina hoje no Brasil, enganando muita gente.

Roustaing não ganhou popularidade no Brasil, embora influenciou vários diretores da FEB, Federação Espírita Brasileira. Mas suas ideias foram seguidas pelos espiritólicos sem saber de quem vinham tais ideias.

Para quem não usa o raciocínio, preferindo a crença pura e a confiança sega - e irresponsável - a quem lança uma ideia, é muito bom saber que o Brasil é o centro do mundo e "Pátria do Evangelho". Já estamos "felizes" por tornarmos o "quintal do mundo", a pátria do entretenimento mundial e somando o conceito de "Pátria do Evangelho"só aumenta essa "felicidade" já que diversão e religiosidade são valores considerados positivos pela sociedade e muita gente duvida que existam falcatruas ou gente interesseira nestes ramos. E infelizmente existem. E como.

Sempre achei incoerente a ideia de "Pátria do Evangelho" (a ideia de "evangelizar" a Doutrina Espírita, em si já é um gigantesco equívoco), já que para mim a pátria dos espíritas é o mundo espiritual. Nem a França é pátria para o Espiritismo. E o que é importante dizer e que muita gente finge esquecer: a divisão de países é puramente humana, artificial. Existe para fins políticos. É como um terreno onde se constrói um muro para delimitar. Deus não dividiu os países e muitas vezes acho que a noção de patriotismo é bastante tosca, já que seria uma espécie de "vaidade geográfica". Mas isso não é assunto para agora.

Todavia a ideia de "Pátria do Evangelho" é falsa, irracional e serve apenas para satisfazer as emoções baratas de gente carente e deslumbrada, que desesperados por uma salvação, engolem qualquer ideologia como se fosse a verdade absoluta, crendo em absurdos que só ajudam mais ainda a alienação e a manutenção dos problemas que nos prejudicam, mas beneficiam o interesses de poderosos e oportunistas.

Espiritismo não tem "pátria". A verdadeira pátria é todo o universo em suas muitas dimensões que servem de cenário para a vida dos incontáveis espíritos que o habitam.